As loucas aventuras de Anne…

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Hoje eu despertei de um pesadelo e caminhei, atordoada, em direção a cozinha, precisava de um café. Mal reconhecia minha casa, olhava a volta e ficava surpresa com o lugar, mas após alguns segundos percebi: “ah é! Eu estou em Madrid, ufaaa, graças a Deus, que sonho horrível…”. Preparei minha cafeteira “italiana” e liguei o computador: “tenho que terminar o trabalho do Pascual”.

Comecei a pensar na Luana (amiga do Brasil) que chegará hoje aqui em casa, na Vanessa (amiga de Porto) que virá domingo… Trabalhos, provas, viagem a Cartagena, Pascual… E me lembrei de como a Akemi escrevia em seu blog, sobre as coisas pirantes que aconteciam em seu mestrado na França. Eu costumava ler o seu blog SEMPRE, ficava ansiosa por uma atualização e passava tempos e tempos na frente do computador lendo e relendo.

Como é estranho pensar que há meses não faço isso, era uma rotina e eu só me dei conta de que ela acabou agora, hoje. Me lembrei de como ficava excitada com a possibilidade de viajar um pouquinho através dos olhos da Akemi. Ficava feliz quando via a atualização no facebook e, depois de um tempo, nem esperava que ela colocasse no facebook, eu mesma abria o browser, digitava “www.tabuleirodebolo.blogspot.com.br” e viajava nas aventuras, muito bem escritas, da Akemi.

Sou o tipo de leitora que embarca na história, vive, chora, sofre… Quando Khal Drogo morreu no primeiro livro de “The song of ice and fire” entrei em desespero… Não comia, não dormia direito. É, eu sou assim mesmo…

Então abri o meu blog e todos os rascunhos das coisas que vivi neste intercâmbio, e que não postei, e fiquei fascinada com as histórias. Era como se eu estivesse revivendo tudo aquilo que estava na tela. E ler minhas próprias aventuras, me fez querer mais! E mais!!! Me fez sofrer e sorrir novamente. Então percebi que já não preciso do blog da Akemi para viver alguma experiência de intercâmbio, estudando num país diferente, com seus costumes e línguas… Eu só preciso sair para dar uma volta.

*Ah! E o pesadelo, era uma coisa boba que não tem nada a ver com o que estou vivendo, mas as vezes, aquela coisa simples, sem nenhum aparente significado relevante, pode fazer toda a diferença. ´;)

Portugal, amigos e bob esponja (parte 2: Porto e Madrid ^^)

Cheguei a Porto trocando e-mails e mensagens, arrependida por não ter ficado mais um diazinho em Lisboa… Juliano foi me buscar no terminal de autobuses (vulgo, rodoviária) e a noite rolou jantarzinho no buteco da murena, boate com festa ESN e reencontros!!! Porto é minha segunda casa… Mas já não parecia tão colorida… A cor estava em Lisboa, mandando mensagens para o meu celular.

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Alguns dias depois resolvi aproveitar Porto e deixar Lisboa ir… E em meio a compras, chuva e vinhos! Conheci dois indiano super gente boa e trocamos telefone, facebook e minha lista de amigos cresceu um pouco mais… Porto é tão surpreendente que parecia que estava em outra cidade!! Passei os 2 dias seguintes entre cafés, pasteis de natas e botas… Tive comprar mala extra para trazer tudo. A viagem foi ótima, conheci uma loja de drogas legais, revi o gatinho Simba, meus amigos, a praça dos Aliados… É… Porto realmente renovou minhas energias.

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O vôo para Madrid atrasou e acabei perdendo o teste de italiano. Já estava me arrependendo de não ter ficado em Porto até domingo, quando meu celular tocou… Era a Maira, uma amiga que eu super adoro, me convidando para sair. Fomos para um bar brasileiro e depois para uma boate de rock! E esta noite foi inesquecível…

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Na saída da boate, conheci um brasileiro-intercambista-nerd-metaleiro que fez meu retorno de Portugal valer a pena e me fez perceber que a vida pode ter cor em qualquer lugar! Só depende de como você a vê.

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Passei esses 3 meses de intercambio encantadinha por um galego que fazia meu coração acelerar quando via seu nome online no facebook. E agora, depois de 3 meses perdidos entre esperanças, esperas e promessas não cumpridas, percebi que eu só precisava olhar para o outro lado. E eu, sensível como o que, apaixonada pela vida e com o coração (que outrora estava) partido… Aprendi, nesses 10 dias de Portugal e 3 dias de Madrid, que não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar um momento sequer desta vida linda. As oportunidades estão ali, do outro lado da Porta e você só precisa abrir.

Veja a parte um aqui!

Portugal, amigos e bob esponja (parte 1: Porto, Coimbra e Lisboa)

Voltei a Portugal para ficar 10 dias… E no avião já estava planejando o que escreveria aqui. Mas o meu fim de semana foi tão intenso que hoje (segunda de manha) parece que minha viagem aconteceu há meses!

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Quando sai de casa, minha cabeça planejava tornar esta viagem inesquecível, tinha tudo para dar certo! Foi minha primeira viagem totalmente sozinha, de planejamento a execução e fiquei com um pouco de medo, mas no final TUDO deu absolutamente certo e descobri que eu sou do tipo traveler alone.

Peguei o vôo e como estava sozinha, não me atrasei, nem tive que sair correndo pelas escadarias do metro… Cheguei a Porto e Daniela já estava me esperando no aeroporto, os alemães são tão fofinhos ^^. Almoçamos, fizemos compras e saimos para dar uma volta no piolho… Com seus estudantes de ultimo ano usando togas… Tudo lindo. A noite assisti uma ótima montagem de Édipo-Rei… Chorei tanto ^^

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No manhã seguinte fui para Coimbra e a recepção não poderia ser melhor! Amigos lindos, pub crawl e ruinas me deixam feliz! Conheci a famosíssima universidade de Coimbra e fiquei encantada com a atmosfera daquele lugar. Tudo é lindo! Passamos o dia caminhando e noite bebendo vodka preta e absinto (uff coisa forte) e no caminho, ganhei mais alguns amigos para a coleção ^^. Me despedi de Coimbra com um aperto no peito de saudade antecipada e peguei o autocarro (vulgo, ônibus) para Lisboa.

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Passei a viagem dormindo e com a senhora do meu lado reclamando do cheiro de cigarro no meu casado, da noite anterior (como as pessoas fumam dentro das boates!!! Dios mio!). Já passava do almoço quando cheguei em Lisboa. O tempo estava lindo, fiz meu check in no hostal (depois de quase uma hora procurando por ele) e, quando saí do hostal para ir a Belém, estava um temporal! Tempo louco o de Lisboa… Mas lá fui eu com meu sobretudo super metal chamando atenção por onde passava.

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No caminho encontrei uma senhorinha portuguesa que se ofereceu para me guiar e lá fomos nós conhecer Belém e os famosos pasteis, monumentos e café! Foi uma tarde muito agradável, com direito a fotos, elétricos, famosos pasteis de belém e sanduiche grego!!!! Voltei para o hostal exausta, mas não conseguia dormir… Lisboa era linda, o hostal era lindo e eu estava numa euforia só… Mal eu sabia que meu dia seguinte seria ainda mais cool!!!

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Acordei bem cedo e tomei café da manhã sozinha. O hostal era bem pequenininho, parecia uma casinha, muuuito fofo… E todos dormiam profundamente em seus quartos. Me aprontei depressa… Coloquei um vestidinho preto com florzinhas e um casaquinho, coisa simples, e lá fui eu conhecer Lisboa… Já na saída do hostal começaram a surgir as cantadas e pedidos de telefone! E continuei, feliz, a passear pela cidade que já conhecia bem, dos livros de literatura que estudei no Brasil.  Passei pelo Rossio, Marques de Pombal, Restauradores e cheguei na Avenida central…

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E então um rapaz muito bonito me aborda e pergunta se eu tenho isqueiro, acabamos conversamos durante todo o percurso da Avenida central e trocamos telefone… Depois disso, português, senegalês, italiano… Definitivamente aquele vestidinho preto com florzinhas se tornou a peça mais importante do meu guarda-roupas! O dia foi intenso, muito interessante e cheio de gracejos… Vi muita coisa linda, fui na parte alta, na parte baixa, tomei vinho no café Nicola e almocei bacalhau!

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Quando percebi, já estava de noite! E as mensagens trocadas durante o dia, se converteram num convite para sair… E quando vi, já era 5 da manhã e eu precisava voltar e arrumar as malas. Adeus rapaz do isqueiro…

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Voltei para Porto com a sensação de que deveria ter ficado, eu queria mais… Lisboa é encantadora Smiley piscando

Continuação…

Porto com vinho e amigos

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Depois de uma prova tensa na faculdade, abri minha mala amarela para uma viagem à terra de nossos colonizadores. Coloquei meu tablet (desisti do peso do netbook, queria ver se ele dava conta do recado) as passagens, celular e um monte de expectativas, fechei e fui dormir. Na manha seguinte acordei bem cedo, queria fazer tudo com calma (essa era uma viagem para descansar), mas a pressa dos companheiros de vôo me contagiou e saímos correndo de casa. 

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Meia hora depois estava desembarcando no lugar que me faria uma pessoa diferente. Eu ainda não sabia, mas estava prestes a mudar, Porto planejava me fazer uma nova Anne. Vanessa ia me buscar no aeroporto, menos mal, já que não conhecia nada ali e meu português teimava em dar lugar ao espanhol (a língua que escolhi para ser nativa). Comprei umas balinhas de goma e fiquei esperando, esperando, esperando… Uma hora depois minha amiga chegou. Peguei o metro maravilhada, que coisa mais linda! Em Madrid o metro é tão ordinário…

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Deixamos a mala no apartamento da Vanessa sob os cuidados do gatinho Simba e corremos para a Faculdade de Letras, com sua arquitetura fantástica e seus estudantes com trajes universitários, cantando e tocando na cantina, enquanto eu tomava um café com casca de limão. Assisti uma aula de mitologia clássica, mas o que prendia a minha atenção era o português com cabelos longos e loiros, sentado ao lado direito da minha amiga. Como os portugueses são lindos.

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Sai da faculdade com muitos amigos no bolso e fui para uma festa de Erasmus. Mais amigos, tequilas e paqueras. A festa terminou com musica brasileira e uma dorzinha no pé por ter dançado a noite inteira. Ah propósito, caminhar pela praça dos Aliados de madrugada, sem ninguém na rua, é a coisa mais energizante que conheço. Apesar que, para mim, toda a cidade era revigorante! Desde uma caminhada pelas margens do rio Douro, até uma visita na livraria Lello.

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Nestes seis dias, tive meus momentos de turista, caminhando pelos monumentos, recebendo cantanda de velhinhos e tirando foto de tudo que aparecia na minha frente. Vi a ponte que foi projetada pelo Gustave Eiffel, o mesmo engenheiro da torre em Paris. Vi o reflexo do sol no Rio Douro, vi as calcinhas enormes das portuguesas, penduradas em varais, Vi um elétrico pessoalmente, comi muito doces, bebi vinho do porto…

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Além disso tive a oportunidade de conhecer um  portuga muito gente boa que nos preparou um jantar com francesinhas, prato típico de Porto, acompanhadas de vodka preta.

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Esta foi um caso a parte, jamais havia experimentado algo tão sublime. Uma dose, depois outra, e outra e quando vi a garrafa estava vazia. É uma pena que o resto da humanidade não tenha acesso a esta bebida apaixonante… Coisas que só encontramos em Portugal ^^.

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No ultimo dia de viagem, a tristeza pré-partida começou a me assombrar e decidi que ia chorar minhas mágoas nas caves de vinho do Porto. Fui sozinha mesmo, já que todo mundo tinha alguma coisa para fazer, dia de semana, sabe como é… A única que não fazia nada era a turista.

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Peguei um elétrico até a Ribeira, contornando o rio Douro, que estava dourado com o brilho do sol, e fui caminhando até as caves. Confesso que atravessar a ponte que liga Porto e as caves, da um certo medo. Ela é grande, imponente, mas pensar que logo abaixo tem um rio feroz, me assustou um pouco.

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Mas logo fui despertada de meus devaneios quando uma mulher cheirando a álcool passou por mim e percebi que já estava do outro lado, nas caves. Não me lembro ao certo em quantas entrei, mas sei que foram muitas. É fascinante estas tais caves, por 3,00 euros você prova os vinhos mais caros. Lembro que o vinho que mais gostei custava 182,00 a garrafa.

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Depois de umas três fazer degustação, sai cambaleante e virei numa ruela deserta. Me lembro de olhar para trás e ver um daqueles ônibus turísticos  passando na rua principal, ignorei meus instintos turísticos e segui em frente. Jamais esquecerei da sensação: o vinho de 182,00 euros na minha corrente sanguínea, o vento frio batendo no meu rosto e a rua deserta. Sentia que poderia fazer qualquer coisa! Caminhei cantarolando “minha patria é minha lingua”, um samba da Mangueira que é emblemático desta viagem.

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Mas, infelizmente, depois de algumas ruelas e becos, vi outros da minha espécie, com suas câmeras fotográficas penduradas no pescoço e apontando para tudo que aparecia. Voltei para o hostel e dormi, profundamente, por 5 minutos! E já estava jogando cartas com meus novos amigos e atualizando o facebook.

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A noite já cobria o céu quando peguei minha mala amarela e o autocarro em direção ao aeroporto. Me sentia sozinha, triste e um quilo mais gorda de tantos doces. Até que, no check-in, encontrei duas amigas brasileiras que havia conhecido em Porto, embarcando no mesmo voo para Madrid e fomos juntas para o portão de embarque. Comprei umas balinhas de goma e sentei na poltrona minúscula do avião com a certeza de que voltaria logo, logo para aquela cidade encantadora.

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Conheci tudo que se espera conhecer de Porto, os vinho, os monumentos históricos, a arquitetura antiga, as caves… Estava tudo lá. Mas nesta viagem aconteceu algo a mais: encontrei amigos! Amigos que este blog apresentou, amigos que foram surgindo nas baladas, amigos que, quando percebi, já haviam entrado na minha vida, sem nenhuma pretensão de sair :)

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As ideias moram no ar…

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Ontem, quando fui dormir, tudo parecia normal. Deitei, agradeci a Deus, fiz minha meditação… Mas tomei o cuidado de ligar o youtube no meu celular e coloquei um fone de ouvido para não acordar minha colega de quarto. O sono veio, quase não conseguia terminar a meditação, meus olhos ficaram pesados, me forcei por uns instantes e, finalmente, adormeci… Minha cabeça, porém, parecia que estava mais acordada que nunca! Flashs coloridos surgiam como cometas e logo desapareciam. Prendi a respiração, estava viajando em alta velocidade e tudo aquilo me deixou um pouco enjoada.

Finalmente a velocidade foi diminuindo, os flashs começaram a ganhar contorno, as cores a se distinguir… Até que, finalmente, parei numa cadeira de restaurante, num lugar que eu não conhecia, mas sentia que era muito familiar (coisas de sonhos). Meu ex-namorado ainda era meu namorado, mas ele tinha uma aparência diferente… O reconhecia pelo chapéu. Ah, eu e minha queda por chapéus! Pedíamos muitos pratos, mas quase não comíamos, e os archotes queimavam ao som das ondas, até que uma senhora sentou-se conosco e acabamos indo embora. A cena muda…

Estou arrumando minhas malas para fazer uma viagem até a casa da minha avó, poucos quilômetros de distância, uns dois bairros depois. Queria viajar um pouco, sair dali, sumir por uns dias, mas não tinha dinheiro para uma viagem de verdade. O plano era visitar as pequenas populações que tinham no entorno da cidade: ir, conhecer e voltar no mesmo dia. No sonho, minha mãe que não parecia minha mãe, (os sonhos são estranhos, sempre acontece dessas coisas: as pessoas que conhecemos assumem outras formas e o lugares, que nunca vimos antes, nos parecem tão familiares!). Mas voltando a minha mãe, ela questiona o porque desta vontade repentina de viajar. E eu respondo: “quero ganhar asas!”. Sim, o tão simples, profundo e clichê: “Eu quero ganhar asas!”.

Termino de arrumar a mala, olho a minha volta, observando se não estou esquecendo nada, e me detenho na minha cama (que não era A minha cama) e sinto uma necessidade enorme de ficar ali… É tudo tão meu! Percebo que é uma tolice essa história de ir embora… Poderia fazer as pequenas viagens dali… Porque ir até o outro bairro? Largo minha mala e sento na minha cama confortável e convidativa. Até minha coruja de pelúcia estava ali… Não quero ir embora…

Alguma coisa me desperta, uma hora antes do horário habitual, olho a minha volta e vejo que estou na minha cama, em Madrid, não na minha cama habitual… Mas na que se tornou habitual nestes últimos meses. Minha colega de quarto dorme calmamente na cama ao lado… Tudo parece estar na mais perfeita ordem cósmica. Minha coruja de pelúcia me observando da poltrona, o quadro de Maat pendurado na parede. Pego o celular, que está na minha mesinha de cabeceira, para ver as horas e vejo que há uma atualização no Facebook (sim, isso é um vício). Clico no quadradinho azul e leio: “Anne Araujo, onde quer que você esteja saiba que as boas ideias moram no ar”. ;p